Meu objeto mágico

Acabei de ler um post no globo.com que me deixou tão emocionada e sentimental que ainda estou chorando. Sério, não é apenas um modo de dizer, eu realmente estou chorando.

O texto se chama “Ler para fugir da vida – ou para mergulhar nela” e fala sobre o livro escrito por  Will Schwalbe, que se chama O clube do livro do fim da vida. O livro conta sobre os dois últimos anos de Will ao lado de sua mãe, Mary Anne, que estava em estágio avançado de câncer.

Ao saber da notícia, Will Schwalbe decide acompanhá-la nas sessões semanais de quimioterapia. em quais ela insistia questionar-lhe sobre sua atual leitura. Os dois passam a trocar opiniões e indicações de leitura, e os livros viram o principal assunto entre os dois na sala de espera do hospital. Isso se repete consecutivamente, tornando-se uma espécie de clube do livro…

Ao ler esse texto, lembrei como era tão legal ler livros e depois contar as histórias resumidamente para minha mãe… Morávamos no sítio, e as vezes ela parecia prestar bastante atenção, inclusive rindo ou discutindo sobre a atitude do personagem. Outras, ela parecia estar tão absorta no trabalho, mas mesmo assim, eu sabia que ela estava me ouvindo…

Devido ao trabalho de ambas e aos meus improváveis dias de folga, faz bastante tempo que não a vejo… Ela até veio aqui no início do mês passado, mas mesmo assim, já faz muito tempo. Gostaria de ir visitá-la no sítio, poder conversar sobre amenidades e discutir sobre personagens literários e de telenovelas… Há algum tempo eu não assisto novela, e descobri a verdadeira razão por de trás disso. Não deixei de assistir novelas por que eu realmente as ache fúteis, manipuladoras e chatas, mas porque assistir novela só tem graça com minha mãe.  A graça de ver novela, é vê-la se entusiasmar com a história do personagem, dar risadas e até mesmo ficar brava com eles, tal como eu quando leio um livro.

Na verdade, minha paixão pela literatura veio da minha mãe… Sei que atualmente devido aos afazeres cotidianos da vida árdua que a zona rural oferece, minha mãe não tem muito tempo para ler já há um bom tempo… Mas quando ainda era criança, lembro como se fosse hoje, minha mãe possuía um baú e uma estante de design antigo com documentos e cartas… Eu gostava de mexer lá, gostava de pensar que um dia encontraria um objeto mágico guardado em algum deles.

Um dia, a procura desse objeto mágico, subi num banquinho para alcançar a parte mais alta da estante, como ainda não alcançava, fiquei na pontas dos pés, e sem nem ao menos conseguir ver o que estava guardado na última prateleira , fui retirando com uma mão os objetos, enquanto me apoiava com a outra na própria estante.

Foi eis que encontrei um livro, um livro chamado “De volta ao passado”. Sim, era esse o objeto mágico que eu estava procurando sem ao menos saber. Desci do banquinho correndo e fui até a cozinha para questionar minha mãe sobre ele. Ela disse que havia comprado quando era mais jovem, para ler na estação enquanto aguardava o trem… Descobrir que minha mãe havia escolhido aquele livro, despertou um interesse enorme sobre ele em mim. Perguntei se eu poderia lê-lo também (rsrsrsr…. pobre criança pretensiosa… Na época eu mal sabia escrever meu nome…) e minha disse que quando eu estivesse grande, eu poderia…

Li este livro com dez anos e esse não foi meu primeiro livro. Não foi o mais legal. Nem o que tinha a capa mais bonita… Mas é com certeza, meu livro mais importante e especial, o livro que guarda em si, um pouco de minha mãe e um pouco de mim, o objeto mágico que eu tanto procurava.

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