Que tipo de leitor você é?


Dicas e Tutoriais / segunda-feira, setembro 2nd, 2013

Ultimamente venho assistindo os vídeos do canal Minha Estante, onde encontrei um vídeo chamado Você lê errado? (Bruno Responde), onde o Bruno fala que não existe esse negócio da pessoa não gostar de um livro porque  ela “não soube ler o livro direito”, “leu errado”.

Claro que como ele disse, o livro é o mesmo para todos e existem pessoas que gostam de ler e pessoas que não gostam de ler, no entanto, pessoas que não gostam de ler possuem uma característica semelhante: a leitura silábica.

Ler errado é pronunciar uma palavra de maneira incorreta e também, no sentido coloquial “ler errado”, pode ser o mesmo que “não compreender o texto”. Enfim, se você lê errado, isso consequentemente fará com que você “leia errado” ou  em outras palavras, “se você não pronunciar as palavras corretamente (seja em voz alto ou na sua própria mente), suas chances de compreender o texto são menores”. Portanto, pode-se dizer sim, que há pessoas que lêem um livro errado (de ambos os sentidos)  e outras que lêem certo.

Normalmente as pessoas que possuem dificuldade para compreender textos ou livros  são pessoas que, devido ao mediano  sistema de aprendizagem utilizado nas escolas (aprendizagem verbal¹), adquirem a leitura silábica ou seja, “é-las lê-em as-sim. En-ten-de?”. Essas pessoas conseguem ler, no entanto, elas estão limitadas e se cansam rapidamente durante a leitura, principalmente em leituras longas e complexas (que exigem um pouco mais de atenção). Um leitor silábico normalmente lê com as cordas vocais (leitura em voz alta ou sussurrada), em seguida ouve o sons que ele mesmo emitira formando palavras e só então processa palavra por palavra em sua mente.

O leitor silábico (o leitor tradicional) utiliza somente o hemisfério esquerdo (parte do cérebro responsável pela lógica, linguagem e raciocínio), deixando o hemisfério direito (parte do cérebro responsável pela imaginação e percepções sensoriais²) desocupada durante a leitura do texto. “Ambos precisam da memória para exercer suas funções e o mecanismo que utilizam é a memória de trabalho³, um sistema limitado de tempo e capacidade” (Renato Alves, 2011, p. 121).

Como nosso cérebro é muito dinâmico, o hemisfério direito (em desuso durante a leitura silábica) irá procurar algo com o que se entreter e a pessoa começará imaginar coisas que estejam relacionadas ao seu cotidiano ou desejos, desviando completamente sua atenção da leitura. Dessa forma, a pessoa irá ler o texto todo (ou livro) sem visualizar a história e sem prestar atenção e compreender, pois o hemisfério direito estará utilizando a memória de trabalho para imaginar coisas que não estão relacionadas ao texto, assim, as informações do texto serão apenas “consumidas”, sem serem processadas e armazenadas.

Já o outro tipo de leitor, mais raro, chamado de leitor dinâmico, se concentra na leitura (seja esta curta ou longa), inclusive imaginando os fatos descritos no texto enquanto lê (assistindo uma espécie de filme em sua própria mente). Este leitor não precisa reler o texto para conseguir compreender, não se sente exausto e raramente se desanima com a leitura, pois ele utiliza ambos os hemisférios com o mesmo foco: a leitura.

Além desses diferenciais, a agilidade do leitor dinâmico durante a leitura, em média 800 palavras por minuto, é bem maior, comparada ao do leitor tradicional (o leitor silábico), que  consegue ler em média 150 palavras por minuto.

Ninguém se torna um leitor dinâmico da noite para o dia, assim como ninguém aprende a ler em curto período… Esse método de leitura é alcançado com prática, força de vontade, treinamentos especiais e paciência, por isso estou deixando abaixo alguns links de cursos gratuitos de leitura dinâmica, caso algum de vocês tenha interesse, pois qualquer um pode reeducar a sua forma de ler:

Cursos Gratuitos de Leitura Dinâmica: Iped, Downgratis, Só Português

¹ É considerada aprendizagem verbal, todo o tipo de comunicação que se utiliza palavras, seja por via oral ou escrita.
² A audição, a visão, o tato e o olfato são percepções sensoriais.
³ Elemento cognitivo que armazena por segundos informações de relevância para determinado indivíduo em questão, processa e envia as informações  que o indivíduo julga ser útil para uma memória mais duradoura e elimina informações que  julgar desnecessária.

Fonte: Methodus, Lendo, Terra, Como fas?, Psicoloucos, Sophia, Blog da biblioteca da UFCSPA, livro “Não pergunte se ele estudou: pergunte se ele sabe estudar” – Renato Alves.

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