Resenha: Se Arrependimento Matasse


Livros Nacionais / quinta-feira, Maio 29th, 2014

Título: Se arrependimento matasse — Deveria ser um encontro agradável…
Autor: Alma Cervantes
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira
Nota: 4/5

Sinopse: Alex, Alice e Rebeca são grandes amigos e decidem se reencontrar depois de alguns anos sem se verem. O lugar escolhido é o hotel dos pais de Alex, mas o que parecia uma viagem especial, repleta de conversas agradáveis e descontraídas com os outros hóspedes durante o jantar se transforma, em seguida, num pesadelo. Quando os três se preparam para dormir, ouvem batidas desesperadas à porta e seguem ao salão, onde logo descobrem que o cozinheiro fora assassinado. Com a comoção, somada à dificuldade de fuga devido à tempestade e névoa lá fora, a confusão logo se instala no hotel, além de um desagradável clima de suspeita entre os hóspedes.

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Para começar, essa capa é perfeita; adoro capas pretonas 🙂

Quem busca a verdade absoluta deve ser frio, imparcial, e manter sempre acima de tudo a razão[…] – pag 101

O livro inicia com o encontro dos amigos Alex, Alice (que é homem) e Rebeca; depois de muito tempo sem se verem eles planejaram passar alguns dias no hotel da família de Alex. Entretanto, na primeira noite juntos no hotel — depois de um jantar com todos os hóspedes reunidos, que são poucos por sinal — um cozinheiro aparece morto na cozinha e todos os hóspedes são convidados a se reunirem na sala de estar para esclarecerem o ocorrido e pensarem na decisão a ser tomada, mas logo percebem que a linha telefônica está cortada e os carros foram sabotados. Para piorar, ainda mais, essa noite uma tempestade castiga o hotel ao mesmo tempo que os deixa isolados do resto do mundo.  Em suma, eles estão por conta própria.

“Certeza” é uma palavra fortemente subestimada. Seu significado é o absoluto. É utilizada com imensa banalidade, quando logicamente esta deveria ser uma das palavras mais raras e de difícil utilização. – pag 102

A principio temos vários personagens que possuem comportamentos estranhos e que podem muito bem ser o assassino, incluindo Frederica; que por um longo tempo me deu a impressão de ser a psicopata assassina por traz do crime, mas ela logo começa um jogo de investigação com os hóspedes e funcionários do hotel, como se fosse uma profissional, e então começa uma análise de cada personagem, pelo ponto de vista da moça. Depois da introdução, Frederica se torna uma das personagens principais e graças a ela conhecemos um pouco mais dos outros personagens.

Mudanças, por mais estudadas e planejadas que sejam, desencadeiam outras mudanças, estas inesperadas; é inevitável. – pag 125

O fim do livro me deixou um pouco surpresa, pela motivação elaborada do suspeito para o crime. Porém, admito que acertei o responsável logo de cara, já que ele foi o meu primeiro suspeito, mas é claro que teve um adicional que eu não imaginava 😛

Se a chuva era um carrasco que torturava a chibatadas, atingindo-os impiedosamente pelas costas, a névoa era a tortura indireta, o Sol incessante cujos raios penetravam a carne e os ferimentos causados pelos golpes que o carrasco desferira e levando-os aos limites do insuportável. – pag 128

Tenho que dizer que os dois primeiros capítulos do livro foram entediantes, os diálogos entre os amigos pareceram forçados demais, mas logo depois do primeiro assassinato as coisas mudaram, a narrativa se tornou mais fluída, embora as conversas entre os personagens sejam muito formais, e a história começa de fato. Alma, inclusive, escreve muito bem por sinal, confiram nos quotes 🙂

Outra coisa que me chamou atenção foi o fato de ninguém ter um celular na mão, ninguém, mas como a história é atemporal imagino que na época que é narrada o celular não é um acessório indispensável.

Seus mais íntimos sentimentos, os quais vinham da mais imensa profundeza de seus corações, gritavam por libertação; e explodiram em um mar de lamentação e arrependimento. – pag 166

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