Resenha: A Casa de Avis – Calicute

Título: A Casa de Avis – Trilogia Calicute
Autor: Marcelo Mússuri
Editora: Novo Século / Selo Novos Talentos da Literatura Brasileira
Nota: 5/5 – ♥ (marcado como favorito)

Sinopse: Jaime, filho do Duque de Bragança, o homem mais rico e influente de Portugal, tem apenas seis anos quando o pai é condenado à morte e degolado na praça de Évora. Após ser obrigado a assistir a execução, é enviado ao estaleiro da cidade de Lagos, para ser esquecido e desaparecer definitivamente.

O menino resiste e se junta a um pequeno grupo de carpinteiros naquela extenuante rotina de trabalho. Até que uma doença devastadora aniquila a tripulação das caravelas destinadas a cruzar o extremo sul do mundo em busca do caminho para as Índias. O ano era 1488 de Nosso Senhor Jesus Cristo, e Jaime não poderia imaginar que sua vida estaria intrinsecamente ligada à maior aventura de sua nação.

Apoiado em verdades históricas, esse romance de tirar o fôlego desvenda os segredos das intrincadas relações de poder na Corte portuguesa no final do século XV, as sangrentas batalhas medievais, as ordens religiosas e seu extraordinário poderio militar, as fantásticas viagens oceânicas, seus perigos, desastres e a promessa de fortunas inimagináveis.

A casa de Avis é o primeiro volume da trilogia Calicute e confesso que me surpreendeu bastante. Demorei alguns dias até conseguir sair do prólogo, não que ele fosse chato só que fiquei com bloqueio, mas assim que consegui terminar já estava fascinada na história, e sorvi em pequenos goles para apreciar o gosto completamente, ou melhor dizendo, li às prestações.

— Pelo amor de Deus, como você consegue ser cagado por um menino que está em cima de uma árvore? […] Página 19

Começamos por um cena brutal, um decapitamento em praça pública, só que Marcelo Mússuri trabalhou de forma majestosa com o humor nessa cena, e durante todo o livro, deixando o livro super leve e prazeroso de ler, mesmo tendo várias cenas de violência.

— Calma? O senhor me pede para ter calma? Nem  presença da Virgem Maria nesta sala me faria ter calma agora. Página 117

Jaime era apenas um menininho quando teve que presenciar seu pai, Duque de Bragança, ser decapitado a mando do rei, em praça pública, e logo sua vida, até então nobre, se transformou completamente.

— Qual de vocês deseja embarcar comigo numa aventura rumo ao desconhecido, através dos mares mais traiçoeiros que se tem notícia, para enfrentar todo tipo de contratempo em busca da morte certa? Página 119

Machucado e amarrado na carroça como um animal perigoso, o menino foi levado, pelos homens do rei, ao estaleiro da cidade de Lagos, para ser escravo e trabalhar pesadamente o resto de sua vida. No entanto, seu caminho cruzou, pela primeira vez, com os dos irmãos Dias e Diogo — que também estavam assistindo a cena da praça — que tiveram piedade do garoto e o ajudaram a chegar em segurança ao seu destino.

— Não sei se encontraremos monstros do mar, não sei se a terra acabará e nós cairemos num abismo infinito. O que eu sei é que, se conseguirmos realizar essa tarefa, seremos recompensados como reis. Página 124

O legal do livro é que ele é dividido por partes e narra os fatos importantes para a história, como por exemplo, o que houve durante os anos anteriores para resultar na execução do Duque de Bragança, ou melhor dizendo, como os personagens manipularam o rei Afonso V e conseguiram virá-lo contra o próprio tio, deixando o pobre infante D. Pedro e seus soldados serem dizimados no confronto sangrento com as grandes tropas do rei, tudo para conseguirem atingir seus objetivos egoístas e mesquinhos.

— Esse moleque escapou de dentro do caldeirão do diabo — praguejou Paulo. — O capeta já estava saboreando sua carne macia quando ele conseguiu fugir do inferno — completou. Página 135

Vários anos mais tarde, Dias e Diogo se encontram novamente com o pequeno Jaime, que já não é tão pequeno, e através de um convite quase irrecusável, para aqueles homens sofridos do estaleiro, irão atravessar o oceano em aventuras épicas e que mudará o futuro de Portugal para sempre.

—Vamos, deitem-no na mesa! Precisamos costurar essa cabeça antes que os miolos desse infeliz desabem no chão![…] Página 154

Apesar do livro ter um forte embasamento Histórico e te transportar para Portugal do século XV não é um livro cansativo e chato, ao contrário, é um dos melhores livros que já li e recomendo para todos, você provavelmente começará a ver aquelas aulas ‘chatas’ de História por outros olhos (eu fiquei com vontade de estudar História depois da leitura 😛 )

— Todo mundo sabe que eles têm pacto com o diabo. Eles comem carne humana e por isso o capeta tem predileção por eles. Os navios onde eles embarcam sempre têm um final infeliz no fundo do mar — completou. Página 157

Ah, já estou louca para ler a continuação desse livro e descobrir o que acontecerá com meus lindos personagens Jaime, Dias, Diogo, João e Zuberi.

O  outro homem de pele vermelha, a exemplo do primeiro, retirou as duas penas coloridas que pendiam dos cabelos lisos e as ofereceu gentilmente sobre as mãos espalmadas. […] Página 182

Não quero dar spoiler, mas tenho que dizer que fiquei horrorizada com o que houve com a Aschia, e adorei que Jaime e Zuberi incendiaram tudo.

— Como não é nada? Você está cochichando no ouvido de um cavalo! Se isso não for nada… Página 313

A diagramação do livro é maravilhosa, essa capa ficou show de bola *-*; a leitura é super fluída e o humor torna a experiência mais agradável. Encontrei alguns erros de revisão durante a leitura, mas isso em nada atrapalha o desenvolvimento da história, aliás, o livro é tão bom que eu adoraria ver uma adaptação 🙂

Espero que vocês tenham gostado, se você já leu o livro nos deixe sua imprensão nos comentários.

beijos e até a próxima!

PS: O livro foi uma cortesia do autor, mas não interferiu em nossa opinião 😉

PS²: Senhores pais, não recomendo esse livro para menores, contém cenas inapropriadas.

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Um comentário sobre “Resenha: A Casa de Avis – Calicute

  1. Show!!! Um livro magnífico. As aventuras estão de volta. Mussuri vai longe. Estou esperando o terceiro volume. Parece que estou lendo pela primeira vez A ilha do tesouro, ou mesmo , algo de Alexandre Dumas. Muito bom.

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