Resenha: A garota que você deixou para trás – Jojo Moyes

Título: A garota que você deixou para trás
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Nota: 5/5

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Intenso. Essa palavra resume perfeitamente este livro; A garota que você deixou para trás não tem uma das melhores capas, sua capa não combina com o enredo, sem falar que é praticamente uma cópia da versão do livro Como eu era antes de você, da mesma autora, mas a história é tão profunda e bem contada que merece sua atenção.

Essa era a história de nossas vidas: insurreições menores, vitórias miúdas, uma breve chance de ridicularizar nossos opressores, barquinhos de esperança em um mar de incertezas, privação e medo.

Além de escrever super bem (uma linguagem bem fluída que te manterá preso desde as primeiras páginas) Jojo conseguiu desenvolver uma trama super complexa, entrelaçando duas vidas de épocas distintas (Sophie e Liv) e fazendo isso perfeitamente, como? O livro é dividido em duas partes, na primeira temos a narração em 1º pessoa da Sophie Lèfreve e na segunda temos a narração em 3º pessoa pelo ponto de vista de Liv (principalmente) e de outros personagens da trama.

O livro começa com Sophie Lèfreve no ano de 1916 (em plena Primeira Guerra Mundial) em St Péronne, uma cidadezinha interiorana da França que foi ocupada pelos alemães; ela mora no hotel Le Coq Rouge com seus irmãos (Hélène e o caçula Aurélien) e os sobrinhos, vivendo uma vida miserável e cheia de medo dos alemães; logo no início Jojo nos mostra como Sophie é corajosa e destemida, ao enfrentar o comandante alemão para proteger um leitãozinho e futuro banquete da população. Nessa ocasião o comandante vê o retrato de Sophie e se encanta, retrato este pintado pelo seu marido Édouard Lefèvre e exposto carinhosamente como uma forma de lembrar da boa vida, uma vida em que ela ainda tinha o marido ao lado, já que estão há 2 anos separados; ele teve que virar soldado e ajudar a França na guerra.

Fiquei ali olhando para a garota e, por alguns segundos, me lembrei de como era ser ela, sem sentir fome nem medo, interessada apenas nos momentos que eu poderia ficar a sós com Édouard. Ela me fazia lembrar de que o mundo era capaz de beleza e que já havia existido coisas — arte, alegria, amor — que enchiam o meu mundo, em vez de medo, sopa de urtiga e toque de recolher.

Acontece muita coisa com ela e com os moradores da cidadezinha e quando Sophie descobre que seu marido pode estar preso ela fará qualquer coisa para tentar libertá-lo, para evitar que ele tenha a morte como destino, mesmo que isso custe sua vida.

Na parte dois estamos no ano de 2006 e acompanhamos Liv, uma viúva que mora sozinha numa casa de vidros e seu único consolo para seguir em frente é o quadro de uma garota, intitulada A garota que você deixou para trás. Temos também Paul, um divorciado que trabalha numa empresa que recupera obras de arte perdidas ou roubadas e entrega aos familiares das vítimas de guerra.

Por acaso o destino de ambos se cruzam e Paul talvez seja aquele que fará Liv seguir sua vida, mas o destino é cruel e “A garota” é justamente o quadro que Paul foi contratado para recuperar e devolver à família Lèfreve. É ai que começa uma guerra, uma guerra para decidir o destino desse quadro, uma guerra que Liv está disposta a lutar até o último momento, não importando suas perdas.

Faço isso pela França, mas, de um modo mais egoísta, faço isso por nós, para eu poder voltar percorrendo uma França Livre até minha mulher.

Durante a primeira parte a narração é voltada no tempo para apresentar o leitor à vida que Sophie levava antes e como o amor dela por Èdouard nasceu e cresceu; a primeira parte acaba num momento muito importante para Sophie, mas na segunda somos presenteados com algumas cenas dela e do que aconteceu depois, e percebe-se como Jojo foi cuidadosa ao elaborar essa trama, não deixando nenhuma ponta solta; durante as pesquisas feitas para montar o caso de restituição do quadro temos várias cartas e depoimentos de algumas pessoas que montarão ainda mais o quebra-cabeça da Sophie, deixando a história detalhada, mas não entediante, enfim o final foi maravilhoso.

Admito que me senti perdida logo no início da parte 2, achei bem entediante, mas logo estava eu presa novamente à história, tanto que mal conseguia largar o kindle (é, li no kindle).

Um livro forte, cheio de fé, amor em meio ao horror e no final só as pessoas que amamos importa. Uma história emocionante e envolvente que fará você ficar acordado por muitas horas… Recomendo.

Às vezes a vida é uma série de obstáculos, uma questão de colocar um pé na frente do outro. Às vezes, de repente ela se dá conta, é simplesmente uma questão de fé cega.

beijos e até breve!!

PS: Livro adulto, não recomendado para menores.

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