Resenha: Puros – Julianna Baggott

Título: Puros – 1º livro da trilogia
Autor(a): Julianna Baggott
Editora: Intrínseca
Nota: 5/5 <3

Sinopse: Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.
Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse.
Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas.Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.
Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.

 

Surpreendente. Grotesco. Eletrizante. Sensível. São algumas características do livro Puros, uma distopia que já me encantou e que infelizmente as continuações (Fuse e Burn) ainda não foram lançadas no Brasil.

Em puros você encontrará um mundo pós apocalíptico, completamente destruído pelas Explosões, onde os sobreviventes mutilados, cheios de marcas, cicatrizes e fundidos com diversos tipos de materiais tentam continuar com o pouco que sobrou; entretanto muitos deles perderam sua humanidade para sempre, são os casos dos Poeiras (fundidos com terra ou pedras) e dos  Feras (fundido quase completamente com animais).

Queime um Puro e respire as cinzas.
De suas entranhas, faça umas cintas.
Com seus cabelos, teça um cordão.
E de seus ossos faça um Puro sabão.
Lava, lava, lava. Pula, pula, pula.
Lava, lava, lava. Eu sou Pura.

Mas nem tudo foi queimado e destruído; uma parte não foi atingida: o Domo, que agora é visto por muitos como Deus, vigiando-os até chegar o momento de salvá-los, enquanto outros  odeiam as pessoas que moram lá dentro e querem destruí-lo, como vingança por tê-los abandonado ao inferno.

Para completar o sofrimento dos miseráveis, que vivem fora do Domo, a OBR, uma milícia formada primeiramente para socorrer as vítimas e transformada em algo que visa a destruição do Domo e o controle sobre os sobreviventes, está sempre rondando, vigiando e castigando os mais fracos, em jogos mortais. Além disso todos os adolescentes que completam 16 anos devem ser entregados aos seus cuidados, onde serão analisados e caso não sejam bom o suficiente são sacrificados sem piedade.

— Eu vou lutar — declara Partridge. — É um instinto. Não posso evitar. Ninguém vai tirar um pedaço de mim sem luta. Página 236

Ao contrário do que muitos pensam o Domo também não é perfeito; os cidadães, conhecidos como Puros, são controlados por inúmeras regras e dentre eles conhecemos Partridge, filho do líder do Domo; Partridge está na academia recebendo codificação, que o tornará  uma versão mais forte e resistente, só que seu organismo não está apresentando reação na codificação comportamental e isso gera um reboliço com seu pai e os assistentes. O rapaz, até então, acreditava que sua mãe tinha sido morta tentando salvar os miseráveis, mas pressente que está viva, com algo que seu pai deixou passar e isso o faz ter um plano para sair do Domo e procurá-la.

No resto do mundo, atormentado e sem misericórdia, vive Pressia; uma garota a beira dos seus dezesseis anos que teve uma mão fundida com uma cabeça de boneca, além das queimaduras e cicatrizes no rosto. Pressia Belze vive com seu avô e faz borboletas de metal para ser usado como moeda no comércio local e já está se preparando para viver escondida a partir do seu aniversário, só que o destino bagunçará na sua vida quando ao fugir da patrulha da OBR encontra Partridge e acaba salvando-o.

[…] Fora do Domo, as árvores tem olhos e dentes. O chão engole meninas que tenham qualquer vestígio de forma humana. São queimadas vivas em estacas e devoradas. […] Página 280

Juntos, Pressia e Partridge, encontram Bradwell, um jovem que sobreviveu sozinho no mundo destruído e  que conhece os segredos do Domo e das Explosões; unindo forças, os três terão muita aventura pela frente e lutarão para sobreviverem no inferno, enquanto vão descobrindo segredos de seu passado e coisas que o Domo não quer que ninguém saiba.

A escrita da Julianna é muito fluída; narrada em terceira pessoa abrange os pontos de vistas de diversos personagens, como se fosse pecinhas do quebra cabeça que vamos montando. Adorei!!

Vale ressaltar que houve alguns pontos que não foram muito bem explicados, mesmo assim não atrapalhou o desenvolvimento da história, mas acredito que veremos um pouco mais disso no segundo livro; que acabarei lendo em inglês mesmo, com um dicionário para ajudar 😛

Embarque nesse mundo reinado pelo caos e descubra sensibilidade em meio a violência; humor em cenas grotescas e crueldade embaixo de sorrisos gentis. Super Recomendado para todos.

Gostou?? Estamos sorteando esse livro, confira aqui e se inscreva 😀

beijos e até mais!!

PS: Esse livro nos faz sentir um pouco da violência que as cidades de Hiroshima e Nagasaki passaram, com a bomba atômica que destruiu milhares de vidas, resultado de um ato de desumanidade.  Vale a pena pesquisar um pouco mais do assunto 🙂

Gostou? Demonstre gratidão:

Deixe uma resposta