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William March | Menina má

SinopseQuando nasce a maldade? Nascemos todos inocentes e somos corrompidos pelo mundo à nossa volta? Ou será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar mesmo na mais adorável das crianças?

Há 62 anos, um livro de suspense psicológico faria com que milhões de leitores discutissem apaixonadamente essa questão. Que livro era esse? Menina Má, mais um clássico que a DarkSide Books desenterra para os fãs do que há de melhor, e mais sombrio, na literatura mundial.

Publicado originalmente em 1954, Menina Má se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro “apavorantemente bom”. Ernest Hemingway se declarou um fã.

Em menos de um ano, Menina Má ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark.

Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

Menina Má é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.

O romance de William March é ainda uma excelente dica de leitura para os fãs da coleção Crime Scene, da DarkSide Books, que investiga casos reais de psicopatas. A ficção nunca antes foi tão assustadoramente real como em Menina Má.

Editora: DarkSide Books Ano: 2016

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Imagem: Reprodução Clayci

A família Penmark acaba de mudar de cidade e precisa recomeçar a vida. Christine consegue matricular sua filha Rhoda em uma escola tradicional e seu marido Kenneth deixa o país a trabalho.  Apesar da saudade que Christine sente de seu marido tudo parece ir muito bem, ela rapidamente faz amizade com sua vizinha e sua filha demonstra ser uma criança muito madura e responsável para idade.

O suspense e o terror surgem no enredo quando uma criança morre afogada durante uma excursão do colégio e as professoras questionam o comportamento de Rhoda. No início Christine pensa que o desastre poderia ter ocorrido com sua filha mas assim que ela percebe a indiferença de Rhoda o medo começa a possuí-la.

Aterrorizada Christine começa analisar o motivo de sua filha estar se comportando desta maneira e quanto mais ela investiga mais preocupada e paranóica ela fica. A forma como os fatos estão interligados no enredo é surpreendente, os diálogos e acontecimentos a todo instante levantam um questionamento sobre a maldade humana.

Será que todos nascem com ela? Será que a criação influencia ou seria questão de genética? O enredo se passa em uma época em que a psicopatia ainda não era tão conhecida e a personalidade de mãe e filha contrasta a todo momento… Rhoda é sempre misteriosa, forte, decidida e intrigante enquanto Christine é óbvia, fraca, indecisa e até mesmo maçante.

O contraste das personagem faz o enredo caminhar sutilmente, sendo uma leitura fácil, atrativa e instigante. A forma como a Christine lida sozinha com a situação é surpreendente, mostrando uma evolução enorme da personagem.

Apesar da obra ser classificada como terror, o elemento predominante nela é o suspense, sendo ótimo para quem está começando se aventurar nessa categoria.

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