a jornada da heroina de maureen murdock simplificada
Narrativas Míticas

A Jornada da Heroína de Maureen Murdock simplificada

A sociedade contemporânea vive um momento bastante delicado em relação ao equilíbrio entre o feminino e o masculino. Existe uma necessidade urgente de resgatar a força que o feminino evoca e a cura de suas características dentro de nós é um caminho para a evolução da sociedade como um todo.

Caminho este demonstrado no livro The Heroine’s Journey: Woman’s Quest for Wholeness da psicoterapeuta Maureen Murdock. Ao longo desta obra ela aborda em detalhes a Jornada da Heroína, também conhecida como Jornada do Guerreiro Espiritual, um modelo cíclico de desenvolvimento humano a fim de alcançar a plenitude.

Assim como prega a filosofia taioista, Maureen constata que as forças do feminino e do masculino existem dentro de todos nós, homens e mulheres. No entanto, um desequilíbrio criou raízes nas estruturas sociais e contaminou a consciência das pessoas com medo, ódio e agressividade – o que também distorceu os arquétipos do inconsciente coletivo.

A distorção do arquétipo feminino causa vitimização, submissão, carência, dependência e complexo de inferioridade. Enquanto a distorção do arquétipo masculino traz perfeccionismo, frieza, agressividade e violência.

“O masculino é uma força arquetípica; Não é um gênero. Assim como o feminino é uma força criativa que vive dentro de todos os homens e mulheres. Quando torna-se desequilibrado e não relacionado a vida se torna combativo, crítico e destrutivo. Ele pode até ser frio e desumano, exige perfeição, controle e dominação. Nada é bom o suficiente.

Murdock aborda o assunto em seu livro focando bastante no ponto de vista das mulheres, já que a obra é uma resposta ao livro O herói de mil faces de Joseph Campbell. Ainda assim não deixa de ser uma obra muito útil para todos os gêneros.

O feminino se manifesta como aceitação, cooperação, gentileza e receptividade. O masculino como ação e realização.

Como Maureen observa, o homem também sofre opressões, já que desde muitíssimo cedo ele é instruído e cobrado a ignorar suas próprias emoções, engolir o choro, demonstrar força física e valentia, sendo ridicularizado até mesmo por mulheres caso tenha dificuldades para atender os requisitos do que é considerado aceitável para um macho numa sociedade patriarcal.

Sim, embora possa parecer estranho para algumas pessoas, a psicoterapeuta chama atenção em seu livro para o machismo expresso nas mulheres contra si mesmas, contra outra outras mulheres e contra homens. Todos sem exceção precisam acessar os sentimentos, expor as emoções, reconhecer suas vitórias e suas falhas, aceitar a si mesmo e ao próximo assim como é, manifestar gentileza e cooperação a fim de ter aperfeiçoamento psíquico espiritual, reforçando uma sociedade baseada no coletivo, nos princípios de empatia e compaixão pelo outro.

As 10 etapas da jornada da heroína de Murdock

jornada da heroína de maureen murdock
Imagem: All Heart Productions
  1. Separação do Feminino, em que a heroína inicia sua jornada buscando reconhecimento e sucesso em uma cultura patriarcal, definida por aspectos masculinos exacerbados.
  2. Identificação com o masculino: a heroína encontra seu mentor, alguém que ela admira e que irá ajudá-la dando suporte, transmitindo valores, atitudes, conhecimento e encorajando-a nos momentos difíceis. Pode ser qualquer homem; ou uma mulher com aspectos masculinos bem definidos.
  3. A Estrada das Provações, no qual ela desafia os mitos da inferioridade feminina, da dependência, da fragilidade e do amor romântico.
  4. Encontrando o Apogeu do sucesso, nesta fase a heroína finalmente conquista tudo o que desejava (que pode ser fama, sucesso no meio acadêmico ou financeiro, roupas, bens materiais, popularidade ou até mesmo um par romântico, seu idealizado “príncipe encantado”). Apesar de ter tudo o que sempre quis, ela sente um profundo vazio.
  5. Aridez Espiritual, ela não se reconhece mais, tem um sentimento constante de ter se perdido em sua luta pela conquista. A heroína perde sua vivacidade e se afunda na tristeza a cada instante.
  6. Iniciação e Descida para a Deusa, a heroína passa por um período de introspecção, conhecido também como depressão, no qual ela começa a procurar pelas partes perdidas de si mesma.
  7. Anseio Urgente de Reconexão com o Feminino, na busca de reconectar-se com o poder feminino e sem instruções para alcançá-lo numa sociedade patriarcal, a heroína deixa sua intuição guiá-la para práticas artísticas, meditativas, artesanais e/ou de religiões matriarcais.
  8. Curando o Rompimento entre Mãe e Filha, a heroína cura suas feridas anteriores, se dissipa do rancor, perdoa (ou busca perdão) e então recupera os laços femininos que possuía antes de iniciar a primeira etapa da jornada. Apesar do nome desta etapa, o laço não é necessariamente com a mãe, pode ser também com pai, avó (ô), tia(o) , amiga(o) ou um responsável. O laço representa a comunidade que ela pertence.
  9. Curar o Masculino Ferido, ela enxerga o machismo feminino e entende que o homem também vem sendo oprimido na sociedade patriarcal.
  10. Integração do Masculino com o Feminino, a heroína aprende a integrar e equilibrar todos os aspectos de si mesma, tornado-se finalmente uma mulher plena, um ser humano em sua totalidade.

“As mulheres tem uma missão nesse momento em nossa cultura. É busca de abraçar plenamente sua natureza feminina, aprendendo como se valorizar como mulheres e curar a ferida profunda do feminino” – The Heroine’s Journey: Woman’s Quest for Wholeness

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