jornada da heroína

Durante seu trabalho como psicoterapeuta Murdock, uma estudante de Campbell, percebeu que havia algo em comum na insatisfação relatada pelas mulheres que ela atendia. Elas haviam seguido a jornada do herói, alcançado o sucesso acadêmico e financeiro, porém conviviam com uma sensação de vazio e desmembramento…

Seguir a jornada do herói havia deixado essas mulheres sobrecarregadas, exaustas, sofrendo de doenças relacionadas ao estresse e imaginando formas de deixar esta jornada.

Então baseando-se em mitos culturais e nos relatos de suas pacientes, Murdock elaborou um modelo alternativo a Jornada do Herói, que como o modelo de Campbell, passou a ser usado tanto para desenvolvimento psicoespiritual quanto como um auxílio para escritores e roteiristas estruturarem suas narrativas.

No livro The Heroine’s Journey: Woman’s Quest for Wholeness a psicoterapeuta aborda em detalhes a Jornada da Heroína, também conhecida como Jornada do Guerreiro Espiritual, um modelo cíclico de desenvolvimento humano a fim de alcançar a plenitude.

Assim como prega a filosofia taioista, Maureen constata que as forças do feminino e do masculino existem dentro de todos nós, homens e mulheres. No entanto, um desequilíbrio criou raízes nas estruturas sociais e contaminou a consciência das pessoas com medo, ódio e agressividade — o que também distorceu os arquétipos do inconsciente coletivo.

A distorção do arquétipo feminino causa vitimização, submissão, carência, dependência e complexo de inferioridade. Enquanto a distorção do arquétipo masculino traz perfeccionismo, frieza, agressividade e violência.

O masculino é uma força arquetípica; Não é um gênero. Assim como o feminino é uma força criativa que vive dentro de todos os homens e mulheres. Quando torna-se desequilibrado e não relacionado a vida se torna combativo, crítico e destrutivo. Ele pode até ser frio e desumano, exige perfeição, controle e dominação. Nada é bom o suficiente.

Murdock aborda o assunto em seu livro focando bastante no ponto de vista das mulheres, já que a obra é uma resposta ao livro O herói de mil faces de Joseph Campbell. Ainda assim não deixa de ser uma obra muito útil para todos os gêneros.

O feminino s e manifesta como aceitação, cooperação, gentileza e receptividade. O masculino como ação e realização.

Como Maureen observa, o homem também sofre opressões, já que desde muitíssimo cedo ele é instruído e cobrado a ignorar suas próprias emoções, engolir o choro, demonstrar força física e valentia, sendo ridicularizado até mesmo por mulheres caso tenha dificuldades para atender os requisitos do que é considerado aceitável para um macho numa sociedade patriarcal.

Sim, embora possa parecer estranho para algumas pessoas, a psicoterapeuta chama atenção em seu livro para o machismo expresso nas mulheres contra si mesmas, contra outra outras mulheres e contra homens.

De acordo com a obra, todos precisam acessar seus sentimentos, expor suas emoções, reconhecer suas vitórias e suas falhas, aceitar a si mesmo e ao próximo assim como é… Manifestar gentileza e cooperação a fim de ter aperfeiçoamento psíquico espiritual, reforçando uma sociedade baseada no coletivo, nos princípios de empatia e compaixão.

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Referências:

The Heroine’s Journey: Woman’s Quest for Wholeness (English Edition) — Maureen Murdock

Escrito por

Lena Rico

Operadora de Computador, formada em Sistemas para Internet pela Fatec e graduando Letras pela Univesp.