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Escrita Feminina

Chick Lit: A história por trás do gênero

Embora a pronúncia dê a impressão que seja alguma marca de goma de mascar, Chick Lits são romances despojados, otimistas e divertidos, que retratam uma mulher moderna, independente, culta e audaciosa.  É um gênero da literatura voltado para o público feminino, cujo principal objetivo é entreter.

O termo Chick Lit foi usado pela primeira vez em 1995 por Criss Mazza e Jeffrey DeShell com conotação irônica no título da obra Chick Lit: Postfeminist Fiction e de acordo com Oxford Dictionay of Library Term o termo “Chick Lit” é pejorativo e equivalente a “literatura de mulherzinha”, sendo também considerado uma resposta ao gênero Lad Lit que conta as histórias de personagens masculinos dedicados a jogos, bebidas alcoólicas, sexo casual e atividades hedonistas.

bridget jones effect
Imagem: Reprodução cena do fim com a personagem Bridget Jones

O gênero obteve destaque e popularidade em meados dos anos 90 quando Helen Fielding até então uma jornalista freelancer foi convidada para criar uma coluna no jornal The Independet falando sobre o cotidiano da mulher real. Com receio do que seus conhecidos fossem pensar Fielding aceitou escrever sob o heterônimo Bridget Jones e o sucesso foi tão surpreende que os editores decidiram que a coluna deveria ser transformada em um romance.

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Imagem: Reprodução Blahzinga

Não há dúvidas que antes do Efeito Bridget Jones houveram outros romances que se encaixam neste nicho… Alguns até dizem que Jane Austen é a verdadeira mãe do Chick Lit, mas a maioria consente que foi o trabalho de Fielding o precursor do gênero, o motivo de inspiração para várias escritoras iniciantes resultando em sua diversidade e popularização.

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Imagem: Reprodução Livros e Fuxico

A Newsweek e outras publicações importantes da época logo perceberam a tendência: cada vez mais mulheres estavam permanecendo solteiras por opção própria, estavam obtendo renda mais alta do que nos anos anteriores e consequentemente o poder de compra delas estava aumentando.

Não estamos solteiras porque debaixo de nossas roupas nossos corpos inteiros são cobertos de escamas – Bridget Jones

Foi quando os comerciais de carros passaram a ser direcionados também para o público feminino, as joalherias começaram a anunciar o “anel da mão direita” sugerindo que as mulheres não deveriam ficar aguardando o homem perfeito para conseguir o seu anel de diamante (noivado) e as editoras americanas decidiram enfim lucrar com o Chick Lit.

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Ilustração por Chloe Cushman

Claramente as mulheres estavam preparadas para receber esse tipo de personagem e apreciar a sua trajetória! As personagens femininas não estavam mais fadadas a finais trágicos ou limitadas a plot device de príncipes encantados e super heróis – o tipo de personagens que povoavam os best seller da década de 80.

bridget jones
Imagem: Reprodução filme O diário de Bridget Jones

Agora elas eram protagonistas desajeitadas, tímidas, estressadas, mal-compreendidas, desprovidas de sensualidade e as vezes até de feminilidade, com inteligência mediana e uma beleza comum tentando sobreviver ao caos da vida moderna… Elas eram muito mais próximas da mulher real do que a dicotomia da mulher puritana/sexualizada apresentada nas narrativas masculinas até aquele momento – e foi exatamente isso o que tornou Bridget Jones o ícone do gênero.

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Imagem: Reprodução

Muitos disseram que era apenas uma tendência passageira mas o fato é que já se passaram mais de quinze anos e o gênero continua dominante. Não estando mais restrito apenas aos livros agora são populares em diversas mídias e de acordo com Cathy Yardley ainda é um ótimo momento para escrever um romance de Chick Lit.

Acontecimentos que marcaram o gênero

1995 1995
1996 1996
1998 1998
2000 2000
2001 2001
2002 2002
2003 2003
2005 2005
2006 2006
2008 2008
2011 2011
2015 2015

1995

A jornalista freelancer Helen Fielding começa a usar o heterônimo Bridget Jones para escrever uma coluna para mulheres no jornal The Independent ;

1996




O Boom do Chick Lit – que ocorre quando Helen Fielding publica o romance intitulado O diário de Bridget Jones no Reino Unido e Candace Bushnell transforma sua coluna chamada Sex and The City em um romance também;


1998




É feita uma adaptação do romance Sex and the city para HBO e O diário de Bridget Jones é lançado nos EUA, assim como Pecuária e Guia das Garotas para Caça e Pesca.


2000




As editoras americanas continuam a explorar o mercado do chick lit com as obras Smart vs Pretty de Valerie Frankel e Bom de Cama de Jennifer Weiner;


2001




A Harlequin Enterprises é uma das primeiras editoras a capitalizar a tendência criando uma marca dedicada especialmente ao gênero chick lit, a Red Dress Ink;


2002




O diário de uma babá de Emma McLaughlin e Nicola Kraus, dá aos leitores uma visão privilegiada do que é ser uma babá para uma família rica da Park Avenue e atinge o primeiro lugar na lista de best-sellers do New York Times;


2003




O diabo veste Prada de Lauren Weisberger, entra na lista de best-sellers e encanta os leitores com os bastidores da indústria da moda e das revistas femininas. A escritora britânica Sophie Kinsella publica o primeiro livro da série Os delírios de consumo de Beck Bloom contando sobre as aventuras de uma jovem que compra demais;


2005




Dois professores dos EUA, Mallory Young e Suzanne Ferriss, começam a estudar o fenômeno do chick lit, levando o tema a debates no cenário acadêmico americano. A Warner Books lança a marca 5 Spot, confirmando que o chick lit veio para ficar. Fielding, depois de um longo hiato, começa a escrever novamente a coluna “Bridget Jones” para o Independent, de Londres, Bridget acaba grávida – com o bebê de Daniel Cleaver, não Mark Darcy.


2006




O diabo veste Prada se torna um filme de sucesso estrelado por Meryl Streep e Anne Hathaway;


2008




É feita uma adaptação do livro Crepúsculo para o cinema gerando enorme estardalhaço devido a quebra dos padrões vampíricos;


2011




A fanfic de E. L. James inspirada em Crepúsculo é reescrita e transformada no romance erótico Cinquenta Tons de Cinza causando polêmica e marcando o inicio de um novo subgênero do chick lit.


2015




O romance erótico Cinquenta Tons de Cinza é adaptado para o cinema;


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