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Escrita Feminina

Representação feminina na ficção

“Sempre fomos o que os homens disseram que nós éramos. Agora somos nós que vamos dizer o que somos”. – As meninas (1975), de Lygia Fagundes Teles.

Durante muito tempo a literatura foi um território ocupado unicamente pelos homens e sendo assim, as representações femininas nas obras literárias eram exclusivamente um reflexo da visão masculina, que as descreviam na maioria das vezes como frágeis, manipuladoras e submissas.

a história da literatura feminina
Imagem: reprodução HP

Contrariando as práticas da época muitas escritoras lutaram para conquistar o espaço e o reconhecimento de suas narrativas, a princípio, utilizando de pseudônimos masculinos para conseguirem ser publicadas. A exemplo disto é possível citar:

  • Emily Brontë autora de O Morro dos Ventos Uivantes, publicada como Ellis Bell;
  • Charlotte Brontë autora de Jane Eyre publicada como Currer Bell;
  • Amandine Dupin autora de Valentine publicada como George Sand;
  • Mary Ann Evans autora de “Silas Marner – o Tecelão de Raveloe” publicada como George Eliot ;

Ainda cerca disto, vale mencionar um fato intrigante sobre Mary Ann Evans…  A escritora tentando se desvencilhar da visão negativa do feminino e para que seus trabalhos fossem levados a sério pelos críticos da época chegou a escrever um ensaio chamado Silly Novels by Lady Novelists que criticava os romances escritos por mulheres!

imagem: reprodução de Paperback Castles

Mas quem conseguiu a incrível realização de ser publicada com o próprio nome ainda na época em que as mulheres não eram reconhecidas intelectualmente, foi Jane Austen, autora dos livros Orgulho e Preconceito, e Razão e Sensibilidade, que é vista com aceitação, inclusive na atualidade, sendo constantemente objeto de estudo acadêmico e alcançando um público muito amplo.

Como foi observado por Virginia Woolf em 1930, a “escrita feminina” (ficcional e não-ficcional)  têm uma voz própria, seu estilo, sua linguagem e sua temática simplesmente se diferem da forma utilizada pelos homens do mesmo ofício.

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O conceito de escrita ou literatura feminina abrange livros escritos por mulheres e por homens que apresentam características específicas como a sensibilidade, poética, lirismo, narrativa confessional, prevalência do eu-narrador, visão interior representada através de memórias, diários e cartas, a busca pela identidade, pela felicidade, pela plenitude e a valorização dos relacionamentos (amorosos ou não).

Na literatura feminina contemporânea, o amor por vezes condimentado pelo erotismo exacerbado, deixa de ser o foco principal dos romances para ceder espaço a abordagens fantásticas, existenciais, politicas, filosóficas, explorando mitos e busca por um sentido das coisas.

A Literatura Feminina no Brasil

Em meados do século XIX foi fundado pela argentina Juana Manso o Jornal das Senhoras, o primeiro periódico a ser dirigido por mulheres no Brasil apresentando assuntos do interesse feminino e abrindo espaço para que outros jornais seguissem essa linha editorial. Vale ressaltar aqui a bravura desta já que naquela época raras eram as brasileiras alfabetizadas, pois não era bem visto pela sociedade.

Com relação aos romances, conforme informa a Revista Cult, até o presente momento considera-se Úrsula escrito pela maranhense Maria Firmina dos Rei em 1859, a primeira narrativa de autoria feminina no Brasil. Seguindo o estilo em ascensão na época, o Romantismo, a engenhosa obra foi considerada abolicionista, por dar voz a dois personagens que são escravos, relatando a brutalidade e a desumanidade presente em suas vidas.

Úrsula o primeiro livro da literatura feminina no brasil
Imagem: reprodução do blog Pausa Para Um Cafe

De modo geral, conforme os estudos do sociólogo e crítico literário Antonio Candido, a escrita feminina esteve praticamente ausente nos anos decisivos para a formação da literatura brasileira durante o século XIX , na vigência do Romantismo, estando restrita a colaborações em periódicos de vida curta direcionados especificamente para o público relativo aos espaços domésticos.

As primeiras aparições da escrita feminina levadas oficialmente ao público mais amplo foram no final do século XIX, quando Realismo já estava em vigência na literatura brasileira. No entanto, não foram apenas as mulheres que escreveram sobre elas ou para elas: quatro homens se destacaram por escrever romances, crônicas e artigos voltados para o público feminino: Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Lima Barreto e Machado de Assis.

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Reprodução: Editora Carambaia

Dentre os quatro escritores, o que mais se destacou foi Machado de Assis, que nas entrelinhas de suas obras chamava a atenção para as necessidades e os direitos da vida afetivo-sexual de suas leitoras: argumentando que a mulher devia receber instrução e não ficar confinada à vida doméstica, tendo direito ao amor e à liberdade – sendo seus temas mais constantes portanto o ciúme e o adultério.

Imagem Destaque: Reprodução Curitiba Cultura

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